entre elas, a rima e a métrica. entre elas havia notas que música nenhuma ousou tocar havia versos que nenhum poema soube alcançar. eram urgentes as mãos que se procuravam quentes os dedos que se encontravam doces os olhos que se falavam. entre as pernas havia o prazer há tanto tempo reprimido havia o segredo de saber-se, o amor, escondido. eram tantas as suas coincidentes delicadezas deliciosamente femininas suas sutilezas quando juntas, eram todo certeza. entre aquelas houve um dia o que não se pode saber e hoje é delas aquilo que nunca vão esquecer. ficaram guardadas as noites compartilhadas tatuadas na alma as juras pronunciadas na pele, o cheiro de serem amadas. se fizeram eternas as aquarelas que saíam delas e entre elas, serão elas sempre lembradas.

entre elas, a rima e a métrica.

entre elas havia notas que música nenhuma ousou tocar

havia versos que nenhum poema soube alcançar.

eram urgentes as mãos que se procuravam

quentes os dedos que se encontravam

doces os olhos que se falavam.

entre as pernas havia o prazer há tanto tempo reprimido

havia o segredo de saber-se, o amor, escondido.

eram tantas as suas coincidentes delicadezas

deliciosamente femininas suas sutilezas

quando juntas, eram todo certeza.

entre aquelas houve um dia o que não se pode saber

e hoje é delas aquilo que nunca vão esquecer.

ficaram guardadas as noites compartilhadas

tatuadas na alma as juras pronunciadas

na pele, o cheiro de serem amadas.

se fizeram eternas as aquarelas que saíam delas

e entre elas, serão elas sempre lembradas.

aponta pra fé.
a presença da ausência a saudade que não se aguenta e não se materializa mas tenta.

a presença da ausência

a saudade que não se aguenta

e não se materializa

mas tenta.

olhos não viram.
a minha pressa. o meu corpo te pronuncia chamando-te em forma de poesia dançada sensualmente embalada por uns braços que não os teus trocando passos com outras pernas mas jurando entrelaçar-me somente nas tuas a minha boca te silencia e os lábios que não te tocaram te sonham um dia naquela roupa que te evidencia as tuas vozes me seduziam uma a uma os teus sorrisos me mereciam os teus sapatos meus pés corriam os nossos quartos não precisavam nem de cama pra serem amados aqueles quadros nos ostentavam nas fotografias que nao tiraram [ainda] de nós dois e nesses traços não desenhados nos meus pulsos ainda não cortados nos nossos planos por mim sonhados existem paginas com linhas em branco pra me completar nos nossos pratos ainda não postos nas nossas taças ainda não quebradas eu vejo refletidas nas nossas cartas todo amor que temos para nos dar e por essas coisas ainda não passadas por minhas juras ainda não amadas por minha pele ainda não tocada eu te rogo imploro para que nao tarde em chegar por nossa casa ainda não mobiliada por essa poesia desconexamente declamada pelos nossos filhos todos e cada e pelos nomes que um dia lhes vamos dar nao tarde querido em chegar. 23 de agosto de 2010  e agora.

a minha pressa.

o meu corpo te pronuncia chamando-te em forma de poesia dançada sensualmente embalada por uns braços que não os teus trocando passos com outras pernas mas jurando entrelaçar-me somente nas tuas a minha boca te silencia e os lábios que não te tocaram te sonham um dia naquela roupa que te evidencia as tuas vozes me seduziam uma a uma os teus sorrisos me mereciam os teus sapatos meus pés corriam os nossos quartos não precisavam nem de cama pra serem amados aqueles quadros nos ostentavam nas fotografias que nao tiraram [ainda] de nós dois e nesses traços não desenhados nos meus pulsos ainda não cortados nos nossos planos por mim sonhados existem paginas com linhas em branco pra me completar nos nossos pratos ainda não postos nas nossas taças ainda não quebradas eu vejo refletidas nas nossas cartas todo amor que temos para nos dar e por essas coisas ainda não passadas por minhas juras ainda não amadas por minha pele ainda não tocada eu te rogo imploro para que nao tarde em chegar por nossa casa ainda não mobiliada por essa poesia desconexamente declamada pelos nossos filhos todos e cada e pelos nomes que um dia lhes vamos dar nao tarde querido em chegar.

23 de agosto de 2010 

e agora.

dois barcos
a diferença entre a linha e o traço a sensibilidade do ato.

a diferença entre a linha e o traço

a sensibilidade do ato.

o mito da caverna
(ou: meus medos)
a fantasia das sensações vistas. eu vi o meu reflexo na planície límpida daquela água. a luz me iluminava e a juventude refletida era bonita. minha composição, ali, soava-me linda. eram azuis e amarelas as cores e as sombras que me diziam. o tempo era ruim e dei-me conta de que dentro em breve choveria. e vi, em pensamentos, o estrago que a chuva causaria em meu reflexo. os pingos, um a um, me deformariam. eles me contorceriam, me turvariam a imagem e tudo o que meus olhos veriam. pensei se não seria este, também, o efeito do tempo sobre mim - no que me transformaria o desenrolar dos meus dias? então eu quis que não chovesse; implorei internamente para que o tempo não passasse e me transformasse fisicamente no que inevitavelmente me transformaria o passar da minha vida. olhei para o céu e percebi que - também inevitavelmente - choveria. e me dei conta de que a vida talvez seja essa sucessão de pingos que nos atingem - ora fraca, ora intensamente. e que ela nos transforma. e nos deforma. como meu reflexo agora turvo nessa superfície outrora tão clara e limpa.  ali tive medo da chuva, do tempo, da velhice, da vida e da morte. [em: estudo do plano]

a fantasia das sensações vistas.

eu vi o meu reflexo na planície límpida daquela água. a luz me iluminava e a juventude refletida era bonita. minha composição, ali, soava-me linda. eram azuis e amarelas as cores e as sombras que me diziam. o tempo era ruim e dei-me conta de que dentro em breve choveria. e vi, em pensamentos, o estrago que a chuva causaria em meu reflexo. os pingos, um a um, me deformariam. eles me contorceriam, me turvariam a imagem e tudo o que meus olhos veriam. pensei se não seria este, também, o efeito do tempo sobre mim - no que me transformaria o desenrolar dos meus dias? então eu quis que não chovesse; implorei internamente para que o tempo não passasse e me transformasse fisicamente no que inevitavelmente me transformaria o passar da minha vida. olhei para o céu e percebi que - também inevitavelmente - choveria. e me dei conta de que a vida talvez seja essa sucessão de pingos que nos atingem - ora fraca, ora intensamente. e que ela nos transforma. e nos deforma. como meu reflexo agora turvo nessa superfície outrora tão clara e limpa. 

ali tive medo da chuva, do tempo, da velhice, da vida e da morte.

[em: estudo do plano]

fotopoetizando o caos urbano - parte II
uma dose, por favor. os dois dedos de poesia de que preciso por dia, creio, emanam dos teus olhos e nascem em qualquer solo seco em que acaso nos encontremos e falemos de amor.

uma dose, por favor.

os dois dedos de poesia de que preciso por dia, creio, emanam dos teus olhos e nascem em qualquer solo seco em que acaso nos encontremos e falemos de amor.

fotopoetizando o caos urbano
ele era feito todo de palavras. seus olhos emitiam sons, sílabas, escorriam versos de seus dedos doces e ligeiros que dançavam no ar. andar junto a ele era qualquer coisa como ler poesia ou ouví-la recitada numa voz tenra e aveludada. eu não podia nada senão me deixar levar por sua voz macia e me encantar com sua prosa que me envolvia e me fazia sentir ser feita também toda de açúcar, rimas e céu.

ele era feito todo de palavras. seus olhos emitiam sons, sílabas, escorriam versos de seus dedos doces e ligeiros que dançavam no ar. andar junto a ele era qualquer coisa como ler poesia ou ouví-la recitada numa voz tenra e aveludada. eu não podia nada senão me deixar levar por sua voz macia e me encantar com sua prosa que me envolvia e me fazia sentir ser feita também toda de açúcar, rimas e céu.